Bilbao, a cidade que ensina a olhar
SP, terminal 3 de Guarulhos. Café no corpo e aquela checagem de equipamento que parece exagero… até o dia que você não faz e descobre que o universo tem senso de humor.
Eu fui a Bilbao a trabalho, acompanhando a Deca na viagem de premiação da 28ª edição do Prêmio Deca. E eu gosto de falar isso assim, direto: a trabalho. Porque trabalho, não é só entregar o briefing, é também se colocar em relação: com um lugar, com um grupo, com o tempo, com o que acontece entre um ponto e outro.
E Bilbao é esse tipo de cidade que te obriga a ser mais inteligente do que você planejava ser. Ela não te deixa passar batido.
GATE 302
BOARDING
GATE 302 BOARDING
Capítulo 1 — chegar não é só desembarcar
Chegar numa cidade nova tem sempre dois movimentos.
O primeiro é o óbvio: mala, check-in, fuso e google maps como se isso resolvesse a vida.
O segundo é mais sutil: você começa a perceber o “jeito” do lugar.
Bilbao tem um ritmo bom de caminhar euma escala humana que te convida a ver a rua. Tem aquela sensação de que a cidade foi desenhada pra ser vivida, não pra ser só cenário ou bonita.
Eu gosto de cidades que não imploram atenção.
Capítulo 2 — Três lentes (pra eu não voltar só com “coisas legais”)
Tem um risco em qualquer viagem de trabalho: voltar com muita imagem e pouca clareza.
Pra evitar isso, eu trabalho com três lentes simples. E eu uso isso pra tudo, como na Arquitetura:
Contexto: por que isso importa aqui?
Uso humano: como as pessoas habitam isso?
Detalhe: onde mora a intenção?
Essas três perguntas viram uma espécie de bússola, sabe? E também evitam um problema moderno: produzir conteúdo como quem coleciona prova de que viveu e Deus me livre ter que provar algo.
Resumindo, uma cidade que não pede prova, pede olhar.
CAPÍTULO 3: Guggenheim e a aula silenciosa do entorno
O roteiro começou com o Guggenheim, claro, porque você não vai a Bilbao e ignora o Gehry.
Você chega e entende rapidamente por que todo mundo fala dele. Mas o que me interessa não é só o impacto do prédio, é o que o prédio faz com o entorno.
A parte bonita (a pele metálica, o reflexo, o rio) é a primeira camada. A segunda camada é mais interessante: perceber como um gesto de arquitetura reorganiza uma área inteira, você sente isso no caminho, na vida ao redor e no fluxo das pessoas.
Depois do museu, a gente foi pra um lugar que eu amo visitar em qualquer viagem: um estúdio, um escritório, uma mesa de trabalho. Visitamos o Gurtubay Arquitectos. E aí a história muda de temperatura. Porque a arquitetura sai do “ícone” e volta pro cotidiano: processo, escolhas, material, implantação, conversa de gente que projeta.
Eu sempre fico pensando nisso: o prédio pronto é a parte que a gente fotografa, mas a parte que forma a cidade é o que vem antes. O que ninguém vê, mas todo mundo sente.
CAPÍTULO 4: Rioja Alavesa, tempo e contraste
Dia de estrada rumo à Rioja Alavesa. É legal quando o roteiro me obriga a lembrar que o mundo não é só cidade, tipo existe um outro tempo acontecendo.
Na Marqués de Riscal, a sequência de espaços é uma aula sobre paciência. Adega antiga, história tradiocional, técnica repetida por anos… E aí, do lado, o contraste: o hotel com desenho do Gehry.
É um contraste não é só estético, mas tb cultural.
E dai tem uma camada humana que eu gosto que é quando o grupo vai ficando mais íntimo. As pessoas que ganharam a viagem estão vivendo algo que tem peso, não só pelo destino, mas pelo reconhecimento e você vê isso em pequenas cenas e detalhes do dia a dia.
Eu, do meu lado, registrando, percebo um outro tipo de prêmio: quando você consegue captar uma experiência sem roubar a experiência de ninguém. É um equilíbrio fino… com ética, presença e respeito.
E é por isso que eu gosto de trabalhar assim: não é “cobrir” no sentido de cobrir com volume. É acompanhar com foco e acima de tudo muita intenção e intuição.
Capítulo 5 — A cidade a pé
Encerramos com uma caminhada arquitetônica: parques, equipamentos culturais, praças e biblioteca. Com curadoria local, o grupo leu Bilbao por dentro: escala, luz, fluxo e por fora: convivência, pausas, vistas. Conteúdo perfeito para Stories (respiro) e para Reels (voz e contexto).
Uma cidade boa te ensina como circular sem brigar com o espaço.
E isso muda a forma como você observa arquitetura. Porque arquitetura não é só obra. É uso humano, e isso aparece no banco que as pessoas sentam, na praça que funciona, na sombra para pausar, no percurso e na locomoção entre os meios.
O que eu trouxe comigo (além de arquivos)
O mais valioso que eu trouxe foi um ajuste de percepção:
Uma viagem de premiação é também uma viagem de pertencimento.
Você vê profissionais reconhecidos vivendo um espaço que conversa com a própria profissão. Isso tem um peso humano real. Porque não é só uma viagem, ou um passeio, ou um restaurante… é repertório.Bilbao é uma cidade que prova que design muda comportamento.
Não no discurso, no percurso.Registrar é um jeito de estudar o mundo.
Quando eu trabalho, eu não estou só captando… eu estou treinando olhar. E sinceramente, olhar bem é uma habilidade rara e útil em qualquer área da vida.
Se eu tivesse que resumir Bilbao numa frase:
é uma cidade que te faz prestar atenção.
E prestar atenção, hoje em dia, já é quase um luxo.
Pra salvar
Se você quiser entender uma cidade rápido: ande (e observe como as pessoas usam os espaços).
Ícones impressionam, mas a história mora no entorno: o que mudou ao redor?
Três lentes que funcionam pra viagem e pra vida: Contexto + Uso humano + Detalhe.
Reconhecimento: você vê no jeito que alguém ocupa um lugar quando se sente celebrado.
Bilbao é camadas: arquitetura, percurso, água, luz…
FAQ
Bilbao vale a viagem?
Vale se você gosta de cidade caminhável, arquitetura que conversa com o urbano e cultura nos detalhes… não só no ponto turístico.
O que você observa primeiro num lugar novo?
Ritmo e luz. E como as pessoas ocupam o espaço. Isso conta mais sobre uma cidade do que qualquer papo de guia.