Cusco me deu um coado e eu voltei a ser gente: Café D’Wasi (Peru)
Eu fui ao Peru a trabalho, acompanhando um grupo de mais ou menos 15 pessoas que ganhou uma viagem de incentivo. Cinco dias de Vale Sagrado, Cusco, Machu Picchu, Salinas, almoço nos Andes… aquele tipo de roteiro que faz você pensar: “Ok, vida. Você venceu. Eu não tenho do que reclamar”.
BIENVENIDOS
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Num dos dias, o grupo foi pro centro de Cusco com um tempo livre pra compras. E eu, sinceramente, só precisava de uma coisa: um café coado pra religar o cérebro. Bateria eu dou um jeito. Café ruim eu não consigo fingir.
Abri o Google Maps e procurei o que eu sempre procuro fora do Brasil: lugar que faça pour-over, o nosso “coado” com sobrenome e tempo de preparo. E aqui vai a primeira dica, simples e muito útil.
Como pedir “café coado” no mundo (sem passar vergonha)
💂🏼♂️Em inglês, você pode mandar um:
“Do you have pour-over coffee?” ou “Can I get a pour-over?”
💃🏽Na América Latina, funciona bem assim:
“¿Tienen café pour-over?”
Se quiser ser mais local ainda: “¿Tienen café de filtro?” ou “¿Hacen V60?”
Pronto. Agora você já tem passaporte carimbado no idioma do coado. ✈️☕
Por que eu fui parar no Café D’Wasi ?
No Maps apareciam várias opções, mas o Café D’Wasi me chamou atenção pelas avaliações falando do barista e dos métodos. E quando eu cheguei, teve um detalhe que me deixou imediatamente calma: eles assumem o que são.
Cafeteria de especialidade, métodos de extração na manga e, sim, aquele tipo de lugar que anuncia V60 e Chemex como quem anuncia “tem água quente e bom senso”. Eles mesmos descrevem que trabalham com métodos como V60, Chemex e Origami e com variedades como Geisha, Bourbon e Typica.
E o próprio projeto do D’Wasi se posiciona como uma marca baseada em Cusco, voltada a fortalecer e difundir a atividade cafeeira no sul do Peru.
Eu entrei e já fui ficando à vontade, porque o atendimento era do tipo “vamos conversar sobre café” e não do tipo “próximo!”.
Barista querido, ambiente gostoso, e aquela sensação de que você não precisa pedir desculpa por fazer pergunta.
A prateleira e o susto bom: Geisha
Aí eu vi: Geisha (também escrito Gesha). E pronto. Meu cérebro virou criança olhando vitrine.
Se você nunca tomou, aqui vai minha segunda dica direta: Geisha é uma variedade famosa. Ela ganhou fama mundial especialmente depois de lotes do Panamá baterem recordes e virarem referência em concursos e leilões, a partir dos anos 2000.
E sim, ela tem ligação com a Etiópia (o nome conversa com a região/floresta de Gesha), por isso você vai ver as duas grafias circulando por aí.
No Peru, esse pedido faz ainda mais sentido porque altitude e microclima entram forte no sabor. Em altitudes mais altas, o café tende a maturar mais devagar, e isso costuma gerar grãos mais densos e com perfil mais complexo.
Eu escolhi V60. E sim, eu fico séria nesse momento.
Eu pedi a extração no V60, e aí começa um pequeno ritual que eu amo: tempo, água, técnica, silêncio bom.
o V60 é um coador em formato cônico. Ele se chama V60 justamente por causa do “V” e do ângulo de 60 graus.
E aqui vai minha terceira dica, que eu sigo como lei: se alguém te diz que vai demorar uns 8 a 10 minutos pra fazer o seu coado, não reclame. Agradeça. Isso costuma significar que a pessoa está respeitando receita, tempo e preparo.
O Peru tem um lugar bem forte no mundo do café, especialmente no arábica. Ele é frequentemente citado como um dos líderes globais na exportação de café orgânico e tem regiões importantes de produção como Cajamarca, Junín, Cusco e San Martín.
Eu levei pra rua. Porque eu gosto de viver o café andando.
Quando ficou pronto, eu pedi pra levar. Eu adoro essa experiência de sair com um coado bom na mão e caminhar pela cidade. E sim, eu comprei grãos. Porque não é todo dia que você está em Cusco escolhendo pacote pra colocar na mala como quem guarda lembrança importante. Peguei Geisha e peguei também um Bourbon Vermelho, que é outra variedade clássica e amada no mundo do café.
Bom… saí com a sacolinha e pronto: modo Super Saiyajin ativado. Quando o coado é bom, meu olho fica mais afiado, minha câmera mais rápida e eu viro aquela pessoa que acha enquadramento até em poste.
Pra salvar
Geisha (Gesha): variedade famosa; ganhou projeção global com cafés do Panamá em concursos e leilões, e tem origem associada à Etiópia.
Pour-over: “café coado” feito na mão. O resultado tende a ser uma xícara mais limpa e aromática, e muda bastante conforme moagem, água e técnica.
V60: coador cônico em espiral; o “60” vem do ângulo.
Altitude: em geral, altitudes maiores favorecem maturação mais lenta e grãos mais densos, o que costuma aumentar complexidade na xícara.
FAQ
Como eu acho bons cafés quando estou viajando?
Eu faço assim:
abro o Maps e pesquiso “specialty coffee”, “pour over”, “V60”, “filter coffee”
olho fotos do balcão (se tem método exposto, já é um sinal bom)
leio avaliações procurando menções a barista e grãos
Preciso pedir “pour-over” ou “V60” pra ser bom?
Não. Mas pedir método ajuda.
Vale comprar grãos fora do Brasil?
Suuuuper.! Se você achar opções de variedade, altitude e torra bem feita. E vale mais ainda quando vira lembrança que você consegue repetir em casa.