onde o tempo ficou
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onde o tempo ficou *
série: A Minha Casa É Em Todo Lugar
Essas fotografias não falam de onde eu estive.
Elas falam de como eu estive.
Durante dois anos, eu vivi em muitas casas.
Algumas por poucos dias. Outras por tempo suficiente para entender o ritmo, o silêncio, o jeito de acordar.
Fotografar esses lugares nunca foi sobre registrar o espaço.
Foi sobre reconhecer o instante.
O momento exato em que um lugar deixa de ser cenário e passa a ser presença.
Cada imagem que nasce aqui carrega mais do que luz, composição ou técnica.
Ela guarda o tempo em que foi feita.
A temperatura do dia.
O estado emocional de quem chegou e de quem recebeu.
Há imagens feitas em casas cheias.
Outras em lugares quase vazios.
Algumas nasceram no silêncio, outras no meio da vida acontecendo.
Todas têm algo em comum: foram feitas quando eu estava inteira naquele momento.
Este projeto não é um acervo de viagens.
É um arquivo de estados.
Estados de pausa, de travessia, de começo, de pertencimento.
Quando uma fotografia sai daqui para entrar em outra casa, ela não muda de função.
Ela continua sendo o que sempre foi: um lugar para estar.
Um ponto de respiro.
Um fragmento de tempo que segue existindo.
Porque algumas imagens não servem apenas para serem vistas.
Servem para serem habitadas.
Para acompanhar o tempo, sem pressa de significar.
Para lembrar, todos os dias, que viver bem também é saber escolher o que fica.
A Minha Casa É Em Todo Lugar.
Uma série criada ao longo de 24/25, atravessando países, cidades e culturas.
Mais do que lugares, registrei relações, rotinas e silêncios.
Cada casa foi um convite para viver a vida do outro por alguns dias.
E cada imagem carrega a memória desse encontro.