2 filmes + 1 série pra mexer na técnica e no coração
Roteiro de Domingo é o nome da pauta, mas eu gosto de fazer o serviço completo e entregar no sábado… assim você já chega no domingo com o play resolvido.
Tem final de semana que pede sofá. Tem final de semana que pede “quero ver algo bom”. Hoje eu trouxe os dois ao mesmo tempo: um filme de guerra visto pelos olhos de uma criança, um filme sobre obsessão que dá vontade de respirar fundo e uma minissérie (quase isso) pra quem ama vinho e roteiro afiado. EITA PREULA!
ROTEIRO DE DOMINGO
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ROTEIRO DE DOMINGO 〰️
1) Primeiro Eles Mataram Meu Pai (2017) — direção: Angelina Jolie
Esse é daqueles filmes que você não assiste “por entretenimento”. Você assiste por respeito. A história vem das memórias da Loung Ung e acontece no Camboja, durante o regime do Khmer Rouge. O que a Angelina Jolie faz aqui, como diretora, é um negócio raro: ela não tenta “enfeitar” a dor. Ela coloca a câmera na altura do olhar infantil e deixa o mundo ficar grande demais, barulhento demais, injusto demais.
Tecnicamente, tem uma escolha que eu acho poderosa: o filme é majoritariamente em khmer e com elenco majoritariamente cambojano. Isso muda tudo, pq não vira uma história “sobre” um lugar… vira um lugar falando por si.
Pausa de curiosidade: a Angelina co-escreveu o roteiro com a própria Loung Ung e o filme é Netflix, com produção ligada ao Camboja e filmagens no país. E sim, o Maddox (filho dela) aparece como produtor executivo no projeto.
E por que eu confio no olhar dela? Porque ela já tinha dirigido Invencível (Unbroken), outro filme atravessado por guerra e resistência, com uma direção que segura a emoção sem virar chantagem.
2) Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014) — direção: Damien Chazelle
Disponível na Max (HBO Max).
Whiplash é um filme sobre música, mas principalmente sobre uma pergunta desconfortável: até onde alguém vai pra virar “grande”? E o personagem principal vai longe. Longe do tipo “alguém segura meu amigo”. O corpo entra no modo máquina, a cabeça entra no modo túnel e o mundo vira uma bateria com duas opções: acerta ou apanha.
O impacto emocional aqui é justamente esse: você vai percebendo que a estrutura da vida dele fica toda montada em cima de um único pilar. Só que pilar único é ótimo… até o dia que balança. E balança.
Tecnicamente, Whiplash é um relógio nervoso. Montagem e som trabalham como se fossem parte da banda: a edição acelera, trava, respira, te provoca. É um filme que te deixa tensa sem você notar o minuto exato em que ficou tensa.
Pausa para curiosidades (porque eu amo um bastidor bem contado):
O diretor e roteirista do filme, Damien Chazelle , não conseguiu financiamento para a produção, então transformou-a em um curta-metragem e a inscreveu no Festival de Cinema de Sundance em 2013. O curta acabou ganhando o Prêmio do Júri de Curtas-Metragens, e ele conseguiu financiamento logo em seguida. O filme foi feito com orçamento estimado de US$ 3,3 milhões e faturou US$ 50,431,161 no mundo.
a produção foi gravada numa janela curtíssima, na casa de 19 dias. (Sim. Dezenove. Eu também fechei os olhos aqui.)
JK Simmons ganhou 47 prêmios por sua atuação como Fletcher
ANDDD, pra finalizar: o filme ganhou 3 Oscars e, pasmem, de 144 indicações, levou 100. CATAPLOF, meu fi!
3) Gotas Divinas (Drops of God) — minissérie que te dá vontade de girar a taça e fingir que entende tudo de vinho
Disponível na Apple TV+.
Eu gosto de minissérie por um motivo bem prático: começa e termina… ponto. Gotas Divinas funciona muito bem assim, porque a história tem um arco bem fechadinho.
A série pega o universo do vinho e faz uma coisa esperta: ela não transforma o assunto em “luxo inalcançável”. Ela trata como cultura. Como sensorial. Como memória. Do solo à taça, tem um fio de narrativa que mistura disputa, herança, identidade e… gente tentando ser adulto.
Tecnicamente, é roteiro e montagem conversando bonito: você entende o que está em jogo sem precisar de aula chata. E emocionalmente, ela acerta num ponto que eu adoro: o vinho vira linguagem. Às vezes pra aproximar. Às vezes pra expor o que estava escondido.
Lá vem curiosidade: a série é inspirada no mangá “Kami no Shizuku” (Drops of God).
E eles levaram a parte sensorial a sério: teve sommelier consultor e treino de degustação pros atores. Isso aparece na tela, porque as cenas não têm cara de “finge que entende”.
ENTÃO TÁ…
Esse foi meu combo recente de domingo: um pra te deixar mais consciente do mundo, um pra te deixar com o coração na mão e outro pra te dar vontade de fingir que entende de vinho (e tudo bem, ninguém nasce sommelier). Se você assistir algum, depois me conta qual cena ficou te perseguindo.
tchau, tchau queridões 👋🏽